12.26.2006

Princípios para um desenvolvimento pessoal e espiritual

“A palavra é o filtro e o que nela se sedimenta é o que resta de melhor”
(Frase usada nos ensinamentos do Budismo-Zen)


A nossa vida actual é um espelho da antiga, o que não quer dizer que tenhamos de sofrer com isso, mas na verdade é o que mais acontece pois a nossa mente está em permanente ligação com o passado. Está sempre a puxar pelo carma e em permanente julgamento e auto-julgamento de si e de tudo o que a rodeia.
Desde que o Homem se levanta até que se deita está em permanente julgamento de tudo e, é tão subtil que ninguém nota. Este é o primeiro principio a ter em conta: Só por hoje não julgues nem auto-julgues.
A mente do Homem, fruto das suas vidas passadas e presentes, encontra-se profundamente desenraizada e padronizada com conceitos limitadores. Simplesmente o Homem não consegue ver para além das coisas. Vive num mundo de opostos (dia/noite, dor/prazer) e é caso para perguntar onde se encontra o paraíso? Sem o pólo negativo ou sem os opostos? Mas se não houvesse noite não se saberia qual o significado do dia. Se não houvesse dor não se tinha qualquer noção do que era o prazer. Como já foi dito, e será abordado ao longo do texto, o problema está nos moldes em como a mente do Homem tem assentado. Ela tudo separa e tudo divide.
Porque é que os opostos não se podem unir?
Comprar e vender são opostos indissociáveis. Não se podia fazer um sem o outro. Apesar de comprar e vender serem acções totalmente diferentes, são por sua vez inseparáveis pois fazem parte do mesmo acontecimento ou seja da transacção comercial.
Apesar dos opostos tudo se unifica. A maioria dos problemas mantêm-se porque nós acreditamos que os opostos se separam e não conseguimos ver a beleza do Criador que tudo une e interliga.
É de salientar, como faz a escritura Hindu Bhagavad Gita que diz que a libertação não é a liberdade em relação ao negativo mas a liberdade completa em relação aos pares:

Satisfeito com a obtenção daquilo que surge por si mesmo.
Passando além dos pares, livre da inveja,
Desprendido do sucesso ou do fracasso,
Mesmo actuando, ele não está preso.
Ele deve ser reconhecido como eternamente livre
Aquele que não detesta nem suplica;
Pois aquele que é livre dos pares;
É facilmente livre dos conflitos.

A verdadeira realidade não tem dualidade. A mente é que a tem separado. A ideia é expressa de uma forma clara num outro texto também de renome que é o Lankavatara Sutra:
“A falsa imaginação ensina que coisas como a luz e a sombra, o comprido e o curto, o branco e o preto são diferentes e devem ser discriminadas; mas elas não são independentes entre sim; são apenas aspectos diferentes da mesma coisa, são termos de relação, não de realidade. As condições da existência não são de carácter mutuamente exclusivo; em essência as coisas não são duas mas uma”.
Quando finalmente nos apercebermos que os opostos afinal são fruto de uma mesma unidade, a discórdia dissolver-se-á em concórdia e as batalhas passarão a ser singelas peças de ballet clássico.
Como relata o Evangelho segundo S. Tomé:
“Eles Lhe disseram: Podemos nós, por ser crianças, entrar no Reino? Jesus lhes disse: Quando fizerdes de dois, um, e quando fizerdes do interior o exterior, e do exterior o interior, e do acima o abaixo, e quando tomardes o macho e a fêmea um só, então entrareis no Reino”.
Todas e quaisquer limitações são puramente ilusões. Mas se todo o limite gera poder tecnológico e politico, gera também alienação e fragmentação porque quando se estabelece limites sobre algo de modo a controlá-lo, acaba-se por separá-lo, e alienamo-nos daquilo que tentamos controlar.
Um outro claro exemplo é de uma visão profundamente budista mas que realça claramente o que tem estado a ser aplicado: Quando as aparências e os nomes são postos de lado aquilo o que fica é a natureza verdadeira e essencial das coisas. O vazio que afirma a realidade é desprovedora de pensamentos e coisas. Quando o budista diz que a realidade é vazia ela é vazia de limites.
Observem o corpo físico: Temos duas mãos, dois braços, dois pés e duas pernas assim como dois olhos, duas orelhas e se repararmos todas estas partes do corpo humano são diferentes entre si no entanto fazem parte da mesma unidade.
Uma das maiores dificuldades da mente humana é viver o momento presente. A nossa mente está em permanente auto-julgamento e julgamento, a culpabilizar-se uma vez que está em permanente conexão com o passado e se não é desta forma é porque ela se encontra com ansiedade e deste modo está conectada com o futuro. Para que a mente possa estar conectada com o presente, e a viver o momento presente, tem que se esvaziar de tudo o que é conceitos, crenças, dogmas, elogios, dor, prazer. Através da auto analise diária, da meditação activa sobre si mesmo sem juízos de valor é que ela irá conseguir se desprover de todas estas limitações. Conseguirá assim, sem esforço, manter-se centrada permitindo alcançar a paz de espírito tornado a vida numa arte em Saber viver. A maior parte das mentes que vibram no passado estão a pôr o Ser em perigo, deste modo ficam só se conectando com seu carma e desta forma só estão a puxar o sofrimento, a dor e a angustia. O Homem pode ser bom mas enquanto a sua mente estiver a vibrar no passado, estará só a atrair dor. Há que esquecer o passado para que possam parar de atrair sofrimento para as nossas vidas.
No entanto em relação ao sofrimento gostaria de dizer algo sobre ele.
Haverá beleza no sofrimento?
Há muita beleza no sofrimento. Ele é visto como um momento de júbilo uma vez que marca o nascimento da percepção interior. É graças a ele que muitas pessoas conseguem ver para além de. Ele é como um velho amigo que nos bate à porta porque nós o chamamos para que possamos ver algo que de outra forma não estávamos a conseguir ver. Uma vida de limites é uma vida de batalhas, ansiedade, dor, angústia e finalmente morte. Então o sofrimento é o momento inicial do reconhecimento dos falsos limites.
Devíamos interpretá-lo, vivê-lo para depois vivê-lo para além dele. Se não o compreenderemos, ficaremos paralisados no meio dele.
O segundo principio baseia-se em: Ama-te a ti próprio em primeiro lugar para depois amares o outro porque o outro também és tu.
Observem a falta de amor que temos pela vida. Levamos uma vida a tentar escondê-la por detrás da ânsia de querer comprar um carro novo, uma casa nova, conseguir alcançar um novo emprego ou qualquer outro bem material e, depois quando alcançamos e satisfazemos essa ânsia partimos imediatamente para outra coisa para continuar a não querer ver, e especialmente para tentar preencher esse vazio que habita em cada um de nós, chegando mesmo a ser gritante.
Ninguém está bem emocionalmente, daí muitos de nós termos insónias, não dormirmos bem de noite, somos perturbados pelos nossos pensamentos produzidos pela mente durante o dia. Uma mente perturbada, doente, tem mais facilidade em ir, durante a noite, aos chamados mundos umbralinos, do que uma mente sã. E digo-vos que é tão fácil isso acontecer. Todos nós sofremos, por uma grande enorme falta de amor, pela falta de dinheiro, vícios, falta de sexo. Essas mesmas faltas ficam armazenadas no nosso inconsciente, e de noite libertos do corpo vamos até aos mais diversos mundos, como também podemos ir perturbar ou assediar determinada pessoa para satisfazer essas mesmas faltas. E muitos de nós têm uma clara percepção enquanto dormimos, porque vimos e sentimos essas mesmas deslocações.
O amar-se a si próprio não é algo extraordinário, é simplesmente ter consciência do Deus que habita em cada um de nós. Dizer sempre sim a nós próprios em primeiro lugar, não é egoísmo, é iluminação.
Vejamos por exemplo, a falta de cuidado que temos, que chegamos ao ponto de quando não estamos bem fazermos uma terapia (Reiki, Healing etc) a outro só porque na nossa mente está padronizado que dizer que Não é sermos mauzinhos e que isso não pode ser. Acontece que por este excesso de bondade acabamos por ficarmos doentes e cansados com os obsessores e com as dores de quem tratáramos, uma vez que não soubemo-nos amar e respeitar a fragilidade do nosso Ser naquele dia. Quem diz este exemplo diz também outros, a mensagem é mostrar ao leitor os padrões e limitações mentais que sem querer apoderam-se de nós.
O que é que será que quer dizer o principio quando diz que o outro também és tu?
Somos todos divinos, filhos de Deus, feitos à sua imagem. A diferença reside com o que cada um faz a partir disso, ou seja enquanto olharmos para nós com ego, vaidade, medo, e não partimos esse espelho não sermos capazes de ver o Deus no outro e não vendo Deus no outro não vemos Deus em nós mesmos ou sejam não nos amamos. Hoje, muitos de nós queixamo-nos que não encontramos nosso companheiro de alma, que estamos sozinhos, que não podemos mais com a solidão. Mas eu pergunto será que quem realmente sente Deus dentro de si alguma vez se sentirá sozinho, abandonado?
Não quer dizer que não se possa ter um parceiro (a)! Deus não nos fez para vivermos em cavernas isoladas no mundo, embora haja quem escolha isso, mas isso já tem de haver com o livre arbítrio de cada um. Quem se souber manter em Harmonia na vida, procurar atravessar as adversidades com amor, paciência, conseguirá atrair tudo de bom para si até mesmo acordar aquela alma que tanto se procura.
Até pela boca do Ser, aparentemente mais desequilibrado, pode sair uma grande verdade. E porquê? Porque todos somos filhos da mesma essência e a maior dificuldade de hoje em dia reside nos relacionamentos, sejam eles de que tipo. Poucos conseguem ver o Deus no outro e facilmente sobrepõem o ego e a vaidade ao nosso, e ao Deus do outro, ao mínimo atrito. As pessoas que muitos de nós hoje temos à frente são a nossa imagem mais que perfeita.
Pelos nossos medos, bloqueios, limitações, falta de clareza e luz em nossas vidas vivemos a projectar no outro essas mesmas dificuldades. O outro pode estar perfeitamente a revelar-nos as nossas dificuldades mais escondidas, e é tão simples ver isso basta estar atento.
Por exemplo muito homens e mulheres comentam a repugnância que tem em relação aos homossexuais. Embora em suas vidas se tentem comportar de maneira correcta e racional, ficam possuídos de raiva quando vêem um homossexual. Mas de onde vêem este ódio tão profundo que faz pessoas aparentemente correctas ficarem fora de si quando vêem por exemplo um casamento de duas pessoas entre o mesmo sexo? Por estranho que possa parecer estas pessoas não odeiam os homossexuais por eles serem simplesmente homossexuais; mas sim porque vêem neles aquilo que secretamente eles próprios poderiam vir a ser. Não se sentem à vontade com as suas próprias tendências homossexuais naturais, inevitáveis, porem secundárias, e dai projectam-nas.
Retirar as projecções equivale a arrancar um limite e incluir na auto-imagem coisas que pensava ser estranhas como o amor por si próprio. Ao abrir espaço em nós mesmos para uma compreensão e aceitação de todos os nossos potências negativos e positivos, isto é gostar de nós em primeiro lugar, conseguiremos alcançar a harmonia e mudanças que tanto procuramos para as nossas vidas.
O próximo verso, escrito por um anónimo, resume em profundidade o segundo principio:

Olhei, Olhei e vi o seguinte,
Aquilo que pensava ser você
Nada era mais que eu próprio.

O terceiro principio reside em um tarefa que parece muito complicada, mas não deixa de ser muito simples quando observada com paz de espírito, que é amar a Deus sobre todas as coisa e isso implica ver Deus em tudo pois não seria ele Omnipresente, Omnisciente e Omnipotente.
Ver Deus em tudo o que vive, no desabrochar de uma flor, no esvoaçar de um pássaro, num dia de chuva, na admiração de uma paisagem.
Não se trata de só ver Deus em nós e nos outros mas também em tudo. Vê-lo em tudo o que é manifesto e não manifesto. Encarar todos os factos e situações como mensagens de Deus, daquele que tudo sabe que tudo vê, que não julga, que está acima do erro, da mentira, da ilusão e das limitações.
Mas para se conseguir ver Deus em tudo há que primeiro encontrar a paz interior, sem ela dentro de nós não conseguimos nunca entender a mensagem deste terceiro principio.
Muitos mais princípios haveria para falar como por exemplo aqueles que muitos de nós conhecem como sendo os princípios do Reiki: “Ganha a vida honestamente”, “Respeita teus Mestres, tua família”. O importante a reter é que todos eles nos querem passar uma mensagem muito óbvia no que respeita à arte de bem viver que é o que neste momento a Hierarquia mais observa em cada um de nós.
É caso para perguntar qual a missão do Homem?
A resposta é muito simples: a missão do Homem é nascer, bem viver e morrer.
E aqui o que põe cada um a pensar é o que se quer dizer com o Bem Viver?
Antes de mais, por de trás de todos os princípios estão dois pontos de partida que o Homem terá de ter para poder aplicá-los em sua vida, que são a moral e a humildade, para que deste modo se possa chegar ao bem viver.
O bem viver é o renascer a cada momento da nossa vida, é o trabalhar em nós para que nada nos acontece de mal. O bem viver é o que faz com que os obstáculos desapareçam.
Cabe a cada Homem viver a vida honestamente, com alegria como se fosse a sua forma de criança. A forma de criança é muito importante pois o que se está pedir (pela Hierarquia) é que o Homem recupere a sua pureza, a sua leveza que está associado a imagem que se tem das crianças.
Como fazer tudo isto?
É tão simples. As verdades trazem sempre consigo uma enorme simplicidade, não são necessárias grandes equações, engenhos, cálculos para se conseguir chegar ao Cristo interno que cada um de nós trás consigo.
Cada Homem terá que olhar (irá sendo explicado ao longo do livro) para dentro de si, analisar passo a passo cada momento da sua vida para que desta forma possa destruir os padrões que o limitam e que ele teima em carregar consigo. Deste modo o Homem eleva-se e, se cada Homem for fazendo isto é mais uma luz que se acende na Terra. Cada vez que um Ser se propõe a fazer o seu trabalho de análise é mais uma luz que irá brilhar, e graças a esse brilho a Terra conseguirá ascender mais um pouco. O impacto é enorme, visto em termos globais é como se acendesse mais uma lamparina num vale escuro que vai deixado de ser escuro quando um Ser decide elevar o seu padrão consciencial e ver para além de.
O bem viver, implica também manter a vida em Harmonia não importam as situações com que nos debatemos. Como diz a doutrina budista: “Enquanto tivermos corpo atraímos situações”, mas a diferença está na maneira como contornamos essas mesmas situações. Temos duas opções, ou tentar perceber porque é que as atraímos, ou deixar que essas mesmas situações nos comandem a vida, que é o que acontece a muitos de nós quando não dormimos, não comemos, desenraízamo-nos dos nossos processos até deixarmo-nos absorver emocionalmente e psicologicamente por elas. Deixamos de ser nós mesmos e passarmos a ser comandados. Conseguem entender onde quero chegar? Vêem isso na vida? Reparem!
Por muito caótica que esteja a vida (contas para pagar, estar-se desempregado, problemas em casa com os filhos ou parceiro (a) entre tantos outros) a maneira como nós contornamos as situações é que irá fazer toda a diferença e será aquela que Deus mais irá ter em conta. Quando se encontra a paz interior, essa muralha erguida pela força do amor que cada um tem, jamais situação alguma nos poderá abalar. Podemos até dizer que para isso teríamos de ir para alguma montanha no Tibete ou até ingressar numa ordem monástica. Não será necessário nada disso, poderá ser feito na vida diária de cada um de nós.
Este é o verdadeiro significado de se manter curado. É levar uma vida simples, honesta onde se encontrará tempo para tudo como estar com quem se gosta, divertir-se, estudar, meditar, trabalhar, cuidar de si e da casa. É de Saber Viver que se está a falar.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Olá Zé Amaral,

Dou-te um abraço de boas vindas à blogoesfera.

Já estás lincado no meu blogue.

Um abraço.

5:16:00 da tarde  

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