2.22.2007

Bichoterapia!


Bichoterapia
BONS HÁBITOS

O convívio com os animais traz alegria, bem-estar e saúde, conhece as histórias de quem se apoiou nos bichinhos para superar os mais diversos problemas.

HÁ 14 ANOS, a secretária Regina Morgado, 46, estava a passar por um momento muito difícil.
“Era o fim de ano, eu tinha acabado de me separar e estava bastante deprimida, mal saía da cama e só chorava”, conta ela.
Foi aí que a campainha tocou e, ao abrir a porta, veio a surpresa: numa caixinha de papelão, um gatinho preto e branco com um laço no pescoço. “Ele estava todo sujo e cheio de pulgas. Gostei logo dele e fui obrigada a tomar banho, trocar de roupa e levá-lo ao veterinário. Foi nesse momento que se deu o início da minha recuperação. Daí em diante parei de me lamentar e deixei-me contagiar pela alegria daquele animal”, relata.
Hoje, para além de Bacco, o cão que uma vizinha amiga lhe deu , Regina cria mais cinco gatos. “Agradeço todos os dias por eles fazerem parte da minha vida, são um uma fonte constante de felicidade. Eles amam-me e eu adoro-os, somos como uma verdadeira família”, diz ela. Assim como Regina, milhares de pessoas já passaram pela experiência mágica de conviver com os animais de estimação. Gatos, cães, pássaros, não importa a espécie, o resultado é sempre o mesmo: o mais puro afecto. E melhor ainda: é gratuito, incondicional, verdadeiro e recíproco. Além do benefício emocional, essa convivência traz também saúde, como demonstram algumas pesquisas científicas.
O Afecto Cura: O simples contacto com os animais de estimação é capaz de gerar nas pessoas reacções físicas e psicológicas bastante positivas. Pesquisas científicas confirmam, inclusive, que as pessoas enfermas respondem melhor ao tratamento clínico quando visitadas por animais. É o que defende a Delta Society, uma organização internacional sem fins lucrativos que promove a capacidade dos animais de ajudarem na recuperação de pessoas doentes. Segundo a instituição, estudos comprovam que as visitas terapêuticas de apenas 12 minutos com a presença de um cão melhoram as funções cardíaca e pulmonar, diminuindo a pressão sanguínea, impedindo a libertação de hormonas prejudiciais ao coração e atenuando assim a ansiedade de pacientes cardíacos que estejam internados.
Além disso, uma pesquisa desenvolvida pela University of New England, na Austrália, mostrou que os donos de animais têm menos hipóteses de ter problemas psiquiátricos e que os hipertensos que adquiriram um animal de estimação tiveram melhoras consideráveis após o período de seis meses. Quando a convivência com o animal é constante, o benefício é ainda maior. “O ser humano é movido pelo afecto. Dar e receber carinho de forma tão espontânea – como acontece com os bichos – faz com que nosso organismo passe a liberar mais dopamina e serotonina, substâncias que acalmam e dão a sensação de felicidade”, afirma a psicóloga comportamental Kátia Aiello.
A partir daí o efeito é em cadeia: a imunidade aumenta, as doenças vão embora e a tristeza também. Foi o que aconteceu com uma senhora de 78 anos. Após a morte do único filho e do marido, ela tornou-se uma pessoa bastante triste. “Ela ligava-me a chorar várias vezes por dia, não sabia mais o que fazer”, conta a sua neta, uma advogada de 31 anos. A situação mudou quando, seguindo o conselho da família, a dita senhora de 78 anos resolveu comprar um cãozinho, um pinsher de nome Tiquinho, hoje com três anos de idade. “Ela recuperou a alegria de viver.
O facto de ter um Ser para cuidar, dar banho, alimentar, levar a passear, começou a dar sentido à sua vida, apesar das saudades dos seus entes queridos que partiram”. Confiante nisso, a Organização Brasileira de Interacção Homem-Animal Cão Coração (O.B.I.H.A.C.C.) promove há seis anos o projecto Cão do Idoso em São Paulo. Criado com o objectivo de desenvolver a Actividade Assistida por Animais – (AAA) e a Terapia Assistida por Animais (TAA), o projecto é aplicado aos pacientes que estão em casas de repouso ou abrigos, por meio da interação dos idosos com os cães, mediada por profissionais de saúde, como psicólogos, veterinários e fisioterapeutas.
“Atendemos cerca de 310 idosos de quatro instituições, graças ao trabalho de 72 voluntários e ao patrocínio de duas empresas”, diz Jerson Dotti, fundador da ONG e autor do livro Terapia & Animais, Ed. Noética. Os benefícios do contacto, segundo ele, são os mais diversos possíveis, como melhora muscular, motricidade, sensibilidade, sociabilidade, locomoção e memória. Além disso, os tratamentos convencionais têm os seus resultados acelerados pelo contacto com o cão.

Agora confere os benefícios comprovados pelo contacto com animais domésticos:
- As visitas terapêuticas com cães melhoram as funções cardíaca e pulmonar, diminuindo a pressão sanguínea, impedindo a libertação de hormonas prejudiciais e atenuando a ansiedade dos pacientes cardíacos que estão internados;
- A existência de aquários que contêm peixes coloridos pode impedir desordens de comportamento e melhorar os hábitos alimentares dos pacientes com Alzheimer;
- A presença terapêutica de um cão pode diminuir a aflição das crianças durante um exame médico;
- Estar próximo de um cão durante um tratamento dentário reduz o stress de crianças que têm medo de ir ao dentista;
- A terapia assistida com animais pode reduzir eficazmente a solidão dos pacientes que estão ligados aos aparelhos por longos períodos;
- Os idosos que têm cães vão menos ao médico do que aqueles que não os têm;
- Os donos de animais de estimação têm as taxas de colesterol, triglicéridos e pressão arterial mais baixos;
- A companhia de animais de estimação (sobretudo cães) ajuda as crianças a lidarem melhor com casos de doenças graves e morte de familiares;
- Os donos de animais de estimação têm menos medo de serem vítimas de assalto, quando saem para caminhar com eles, ou quando estão em casa;
- Os animais de estimação ajudam a diminuir o stress diário, a solidão e o isolamento;
- A auto-estima das crianças aumenta quando elas possuem um animal de estimação;
- Os pacientes com Sida que têm animais sentem menos depressão e stress, eles acabam por ser uma fonte de apoio e consequentemente ajudam na capacidade de superação da própria doença.

Dar e receber carinho de forma tão espontânea faz com que nosso organismo libere dopamina e serotonina, substâncias que acalmam e dão a sensação de felicidade, como já foi mensionado.
Apoio contra a angústia: o animal funciona como um apoio que ajuda a liberar as angústias e as amarras que, muitas vezes, nos impedem de ter uma vida normal. Quando uma pessoa sofre uma perda, fica fragilizada e passa a projectar no animal aquilo que está a sentir. È comum que se diga frases como “coitado do gato, está tão triste, acho que quer festinhas” ou ainda “o cão anda tão carente, acho que quer passear”. A necessidade, na verdade, não é do bicho, mas do dono. Mas um acaba por ajudar o outro a superar o problema. Além disso, os animais impõem nos seus donos, mesmo quando eles estão doentes, responsabilidades que os amigos e parentes preferem não exigir deles. Normalmente costuma-se poupar quem está triste ou doente de compartilhar as refeições ou participar de eventos sociais, com o animal não é assim. Ele
quer passear, brincar, comer e precisa de atenção. Isso é, sem dúvida, um estímulo.
Um bom exemplo disto é a história do editor de livros Joaquim António Pereira Sobrinho, 40. “Eu costumava ser um bruto, sério demais, e evitava demonstrar os meus sentimentos. Por conta desse comportamento, tive várias crises de depressão, mas desde que tenho um cão tudo isso passou. Hoje sou uma pessoa muito mais feliz”, afirma. O seu sobrinho conta que ganhou o cão, ainda pequeno, de um amigo e que as mudanças temperamentais do seu tio ocorreram aos poucos, sem que ele percebesse.
“Os meus amigos começaram a estranhar as minhas atitudes, e de repente passei a ser mais carinhoso e atencioso, estavam sempre a dizer: "quem te viu, quem te vê’”.
As crises de depressão? Passaram! “O animal chama-nos para a vida, obriga-nos a sair para levá-lo a passear e fica ao pé de nós, se porventura percebe que estamos tristes, não há neura que que resista”, diz.
A psicóloga afirma ainda que o acto de cuidar de outro Ser é bastante importante para o desenvolvimento da auto-estima e da auto confiança. “Sem contar que os animais não têm preconceitos, são capazes de amar quem é doente, velho, pobre da mesma forma que amariam quem não tem nenhum desses problemas”, afirma a dita psicóloga.


Agora segue-se dez mandamentos necessáros para que se possa ter um animal:
1. Antes de adquirir um animal, considera que o tempo médio de vida é de 12 anos. Pergunta à família se todos estão de acordo, se há recursos necessários para mantê-lo e verifica quem cuidará dele nas férias ou em feriados prolongados;
2. Adopta animais que estão em municípios públicos e privados (vacinados e castrados), em vez de comprar logo um por impulso;
3. Informa-te sobre as características e necessidades da espécie escolhida – tamanho, peculiaridades, espaço físico;
4. Mantém o teu animal sempre dentro de casa, jamais solto na rua. Para os cães, os passeios são fundamentais, mas apenas com coleira/guia e conduzido por quem possa contê-lo;
5. Cuida da saúde física do animal. Fornece abrigo, alimento, vacinas e leva-o regularmente ao veterinário. Dá-lhe banho, escova-o e exercita-o regularmente;
6. Zela pela saúde psicológica do teu animal. Dá-lhe atenção, carinho e ambiente adequado a ele;
7. Educa o animal, se necessário, por meio de adestramento, mas respeita as suas características;
8. Recolhe e joga os dejectos em local apropriado e não os deixes ficar na rua;
9. Identifica o animal e registra-o;
10. Evita as crias indesejadas de cães e gatos. Castra os machos e as fêmeas. A castração é a única medida definitiva no controle da procriação e não tem contra-indicações.

1 Comments:

Anonymous Mariana Soares said...

Nossa, com certeza os animias desenvolvem um afeto nas pessoas que serve como uma terapia. Eles são companhia, são carinho, e melhoram sim a saúde de seus donos...
Adorei o blog...
bju

11:47:00 da manhã  

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