7.25.2007

O que é o Ser Humano?


Precisamos indagar o que é o ser humano. Nós sabemos muito pouco o que um ser humano pleno, inteiro, verdadeiro. Receio dizer que o ser humano, nesse momento, é uma grande utopia, não no sentido do irrealizável, mas no sentido do irrealizado, aquilo para o qual ainda não há espaço.

“Aos quinze anos, orientei meu coração para aprender. Aos trinta plantei meus pés firmemente no chão. Aos quarenta, não mais sofria de perplexidade. Aos cinqüenta, eu sabia quais eram os preceitos do céu. Aos sessenta, eu os ouvia com ouvido dócil. Aos setenta, eu podia seguir as indicações do meu próprio coração, porque o que eu desejava não mais excedia as fronteiras da justiça”. Palavras de Confúcio, há 2.600 anos. Ele sabia o que era um ser humano. O mesmo dizia os antigos terapeutas de Alexandria: “Você troca de roupa em dois minutos; leva-se uma existência inteira para trocar de coração”.

O que é o ser humano? O ser humano é uma promessa. Os antigos diziam que o ser humano ainda não nasceu; que somos uma possibilidade. O ser humano é um potencial de florescimento. Se nós investirmos na dimensão do coração, na dimensão da alma, poderemos nos tornar seres humanos plenos. Porém, temos feito isso? Quando foi que inclinamos nosso coração para aprender, aprender realmente quem somos? Quando você se coloca no seu caminho, que é o caminho da sua promessa, o caminho do coração, então o Mistério conspira por você. E você evolui de uma existência perdida, alienada, para uma existência escolhida, ofertada.

Sob esse ponto de vista, existem três tipos de seres humanos: aqueles que nascem e morrem piores do que nasceram – são os degenerados; aqueles que nascem e morrem como nasceram – são os que mantiveram a saúde; e aqueles que nascem e se tornam quem eles são, assim como uma flor se torna uma flor, uma mangueira se torna uma mangueira – são os que aceitaram o desafio da evolução, os imprescindíveis..

Quando perguntaram para Krishnamurti (que foi um ser humano pleno) “porque você ensina?”, ele respondeu: “Porque um pássaro canta?” Eu gosto muito de provocações e penso no que Abrahan Maslow, um dos pais da psicologia humanista dizia: “Num certo sentido, apenas os santos são a humanidade”. Se você quer saber o que é um ser humano, estude os santos, os seres humanos plenos, não apenas os da tradição católica, mas também os da tradição hindu, taoísta, xamãnica, sufi, enfim, todas as tradições; e também os agnósticos, os santos sem tradição. É preciso estudar os seres humanos que deram certo. Isso me lembra as palavras de Madre Teresa de Calcutá: ‘Santidade não é um privilégio de poucos, é uma necessidade de cada um de nós”. Nesse momento, acho que é uma obrigação de cada um de nós. É preciso desmistificar o tema da santidade. Ser santo é ser simples, é ser transparente, é ser inteiro; é ser tudo o que somos.

Extraído da revista Sofhia n° 16 da Ed. Teosófica.

1 Comments:

Blogger Papoila said...

Fascinada com este texto!
Parabéns!

3:10:00 da tarde  

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