3.05.2008

Justificar o mal!

Justificar o Mal
É óbvio que a presente crise que grassa por todo o mundo tem um carácter excepcional, sem precedentes. Tem havido crises de diversos tipos em períodos diferentes da história - sociais, nacionais, políticas. As crises vêm e vão; recessões económicas, depressões, chegam, são modificadas, e continuam sob uma outra forma. Sabemos isso; estamos familiarizados com esse processo. Mas a presente crise é certamente diferente, não é? É diferente, porque, em primeiro lugar, estamos a lidar não com dinheiro nem com coisas tangíveis, mas com ideias. Esta crise é excepcional porque se situa no campo da ideação. Estamos a guerrear com ideias, estamos a justificar o assassínio; em toda a parte do mundo estamos a justificar o assassínio como um meio para se atingir um fim que é correcto, o que é, em si próprio, algo que nunca havia acontecido anteriormente. No passado, o mal era reconhecido como mal, o assassinato era reconhecido como tal, mas agora o assassinato é um meio de se atingir um resultado nobre. O assassínio, seja de uma única pessoa ou de um grupo de pessoas, é justificado, porque o assassino, ou o grupo que o assassino representa, o justifica como um meio de alcançar um resultado que será benéfico para a humanidade. Ou seja, sacrificamos o presente em nome do futuro - e não importa quais os meios que empregamos desde que o nosso propósito expresso seja o de produzir um resultado que dizemos trazer benefícios à humanidade. Portanto, o que está implícito é que um meio errado pode produzir um fim correcto, e justificamos os meios errados através da ideação... Dispomos de uma magnífica estrutura de ideias para justificarmos o mal e isso é certamente algo sem precedentes. O mal é mal; não pode dar origem a algo bom. A guerra não é um meio para se alcançar a paz.

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